Incomum


Um homem de idade já bem avançada veio à Clínica onde trabalho, para fazer um curativo na mão ferida.

Estava apressado, dizendo-se atrasado para um compromisso, e enquanto o tratava perguntei-lhe sobre qual o motivo da pressa.

Ele me disse que precisava ir a um asilo de anciãos para, como sempre, tomar o café da manhã com sua mulher que estava internada lá. Disse-me que ela já estava há algum tempo nesse lugar porque tinha um Alzeimer bastante
avançado.

Enquanto acabava de fazer o curativo, perguntei-lhe se ela não se alarmaria pelo fato de ele estar chegando mais tarde.

- Não, ele disse. Ela já não sabe quem eu sou. Faz quase cinco anos que não me reconhece.

Estranhando, lhe perguntei:

- Mas se ela já não sabe quem o senhor é, porque essa necessidade de estar com ela todas as manhãs?

Ele sorriu e dando-me uma palmadinha na mão, disse:

- É. Ela não sabe quem eu sou, mas eu contudo sei muito bem quem é ela.


 Que amor! Um amor que não é normal entre nós seres humanos. Um amor Incomum. Mesmo a sua esposa não ser capaz de reconhece-lo, ele ainda fazia questão de encontrar com ela todos os dias. Se coloque nesta situação você seria fiel a alguem que nem te conhece mais? Você faria questão de se encontrar com essa pessoa a todos os dias pela manhã? Ao pensar nessas duas questões, eu tenho quase certeza que o meu comportamento não seria o mesmo, se a minha atitude seria a mesma. Mas ao analisar detalhadamente essa história. Eu percebi que Deus sempre fez a parte do homem. Mesmo nós não sendo capaz de conhecer a Deus e nem ao menos tentar conhecer a Deus. Nem se quer fazemos questão de buscá-lo, de estar perto dele, ele faz questão de se encontar conosco. O nosso dia a dia é assim, muitas tarefas, atividades, o corre-corre é imenso. Acordamos muitas vezes ja atrasados, nos arrumamos numa velocidade tremenda e esquecemos de ter esse encontro diário com Deus. Mas Deus não quer passar um dia sem te ver, e por isso ele vai ao nosso encontro. Mesmo eu e você muitas vezes o negando, rejeitando ele faz questão de nos buscar de nos perseguir. 

Eu imagino um diálogo entre o maligno e Deus. O Maligno faz a seguinte pergunta:
"Mas se ela já não sabe quem o senhor é, porque essa necessidade de estar com eles todas as manhãs e todos os momentos de sua vida?"

E Deus com toda autoridade responde: " É. Eles não sabe quem eu sou, mas eu contudo sei muito bem quem eles são." 

O verdadeiro amor não se reduz ao físico nem ao romântico. O verdadeiro amor é a aceitação de tudo o que o outro é, do que foi, do que será e... do que já não é.
  --> Deus nos amou, ama, e sempre nos amará, que amor incomum!
Graça e Paz,

1 comentários:

  1. Raissa Diniz disse...:

    As vezes eu me pego fazendo essa pergunta também, "que amor é esse?" Amor que não espera, não cobra, não obriga, não nega, mas se dá, espera, suporta, simplesmente ama. Que amor é esse!

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